Trabalhador que morreu atropelado durante montagem de feira fazia hora extra para comprar geladeira para mãe, diz irmã

Alex Nunes Viana Bezerra foi morto atropelado no Segundo Jardim de Boa Viagem, no Recife Reprodução/WhatsApp O montador Alex Nunes Viana Bezerra, o trabalhado...

Trabalhador que morreu atropelado durante montagem de feira fazia hora extra para comprar geladeira para mãe, diz irmã
Trabalhador que morreu atropelado durante montagem de feira fazia hora extra para comprar geladeira para mãe, diz irmã (Foto: Reprodução)

Alex Nunes Viana Bezerra foi morto atropelado no Segundo Jardim de Boa Viagem, no Recife Reprodução/WhatsApp O montador Alex Nunes Viana Bezerra, o trabalhador de 25 anos que morreu atropelado durante a montagem de uma feira cultural na Avenida Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, foi enterrado neste domingo (30). Ao g1, a irmã dele, Viviane Leite, contou que Alex estava fazendo hora extra no momento do acidente. Segundo a parente, ele queria comprar uma geladeira para a mãe. "Ele era montador alpinista porque subia em estruturas de show, ornamentação de festa, de Natal, São João, essas coisas. Ele trabalhava até as 18h e, após esse horário, o encarregado da empresa perguntava quem queria fazer hora extra. Ele disse que iria fazer hora extra essa semana porque... Ele disse: 'eu vou comprar a geladeira da minha mãe à vista'", contou. ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE O atropelamento aconteceu na madrugada do sábado (29). Alex estava trabalhando quando um carro em alta velocidade invadiu o espaço do evento, no Segundo Jardim de Boa Viagem, e atingiu o montador (veja vídeo abaixo). De acordo com testemunhas, o impacto da batida foi tão forte que a vítima teve uma das pernas amputada no momento da colisão. De acordo com a irmã de Alex, o montador morava com a mãe deles no bairro de Nova Descoberta, na Zona Norte da capital pernambucana. "A gente espera que vá [o caso] para o júri popular. A gente não quer que vá como crime de trânsito, porque isso não foi um crime de trânsito. Isso foi um homicídio. A partir do momento em que a pessoa ingere álcool e no estado há uma lei proibindo que isso aconteça, quando eu ingiro álcool, eu tenho a intenção de cometer um crime", afirmou. Trabalhador morre atropelado durante montagem de feira cultural no Recife Prisão preventiva O motorista, Gabriel Graciliano Guerra Barretto de Queiroz, de 19 anos, foi preso em flagrante e autuado por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Horas depois do acidente, em audiência de custódia, a Justiça decretou a prisão preventiva do jovem, que foi levado ao Centro de Observação Criminológica e Triagem (Cotel), em Abreu e Lima, no Grande Recife. O g1 tenta contato com a defesa dele. A decisão foi publicada pela juíza Andréa Calado da Cruz. Segundo o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), a magistrada decretou a prisão com base na gravidade do caso, na condução do veículo sob efeito de álcool e no risco que a liberdade do motorista representaria para a ordem pública. "Considerando a gravidade concreta do fato, o modo de agir temerário, a condução de veículo sob influência de álcool com resultado morte, o desprezo pela sinalização e o risco de reiteração em contexto de aumento de sinistros de trânsito por álcool e direção, decreto a prisão preventiva de Gabriel Graciliano Guerra Barretto de Queiroz, como medida necessária à garantia da ordem pública e à preservação da credibilidade do sistema de justiça penal", diz um trecho da decisão. 'Apegado à família' Ao g1, Viviane Leite contou que Alex era apegado à família e aos vizinhos. O corpo de Alex foi enterrado no Cemitério de Casa Amarela, na Zona Norte do Recife, em cerimônia com a presença dos parentes e amigos. Segundo Viviane, a mãe de Alex soube da morte do filho pelo coordenador da empresa de montagem de eventos onde ele trabalhava, depois que passou a noite inteira esperando o jovem chegar em casa. "Minha mãe ficou durante a noite toda esperando ele chegar. Porque, por mais que ele largasse de 18 horas e fizesse hora extra, geralmente ele chegava em casa meia-noite, 1 hora da manhã. Só que minha mãe disse que começou a ter a sensação quando ele não chegou. Ela ficou ligando para ele e por volta de umas 6 horas da manhã foi quando o coordenador dele chegou, junto com uma pessoa responsável da empresa para anunciar o fato", disse. Ainda segundo Viviane, a comoção gerada pela morte de Alex mobilizou amigos e vizinhos. "Hoje no velório, as vizinhas de outros lugares onde minha mãe trabalhou vieram homenageá-lo e também vieram pedir por justiça. (...) A gente só consegue bater de frente, a justiça mesmo, quando ela é de fato feita da forma correta e devida", declarou. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias