Jovem com autismo aprovado em duas universidades federais cobra aceitação real e inclusão prática
Vitor Gabriel tem Transtorno do Espectro Autista e foi selecionado em dois cursos de graduação em universidades públicas. Cláudia Izabel dos Santos/ Arquivo...
Vitor Gabriel tem Transtorno do Espectro Autista e foi selecionado em dois cursos de graduação em universidades públicas. Cláudia Izabel dos Santos/ Arquivo pessoal "Falta entenderem o que é o autismo e passar de um conhecimento superficial para a aceitação real e inclusão prática". É o que acredita Vitor Gabriel Santos, de 18 anos, que tem Transtorno do Espectro Autista, nível 1 de suporte. O jovem pernambucano enfrentou situações de preconceito, superou dificuldades e, agora, celebra a conquista de ser selecionado em dois cursos de graduação em universidades públicas. Vitor foi aprovado por meio do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2025 em Engenharia de Produção na Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) e em Agronomia na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Para viver o sonho universitário, ele percorreu um caminho que não foi tão fácil. "Foram muitas dificuldades, falta de apoio na escola, matrícula negada, muitos nãos, sozinha, sem condições financeiras. As políticas públicas não existiam, faltava terapias e profissionais capacitados, pouco se ouvia falar em autismo", relembrou a mãe ,Cláudia Izabel dos Santos. Vitor Gabriel recebeu o diagnóstico de TEA quando tinha quase seis anos. "Aos três anos, uma professora observou o comportamento dele e pediu para que eu procurasse ajuda profissional. Por minha conta, procurei também uma fonoaudióloga, devido ao atraso de linguagem. Quando o laudo foi fechado, ele tinha 5 anos e 7 meses. Foram muitas idas em Ministério Público por medicamentos e terapias". Vitor Gabriel e a mãe Cláudia Izabel Cláudia Izabel dos Santos/ Arquivo pessoal Embora os primeiros anos tenham sido de dificuldades, a mãe disse que o desafio maior veio na adolescência. "Esquecem que criança atípica cresce. Ele, passando pela fase de adolescência, não aceitava ter autismo". O jovem foi aluno da Escola Dom Malam e da Escola Aura Sampaio Parente Muniz, em Salgueiro., no Sertão. Nas instituições, recebeu apoio de profissionais, professores e auxiliares, o que fez diferença para ele confiasse em suas capacidades. "Era meio tímido para fazer amizades, mas com a ajuda dos meus terapeutas e da minha mãe fui entendendo o que era autismo. Meu relacionamento era maravilhoso, principalmente no Ensino Médio, quando eu fiz mais amizades", contou Vitor. A nova etapa será em Serra Talhada, na UFRPE. "Eu irei iniciar o curso de Agronomia no dia 10 de agosto e espero que seja tão bom igual foi meu Ensino Médio". Para Cláudia, mãe solo que se especializou em psicopedagogia e ABA para ajudar o filho, não há dúvidas de que o novo ciclo será de sucesso. "Um diagnóstico não pode ser um limite, nem um rótulo. Existe preconceito, sim, mas não podemos deixar que seja maior que o amor", frisou. ASSISTA TAMBÉM! Atletismo ajuda no desenvolvimento de adolescente autista em Petrolina Vídeos: mais assistidos do Sertão de PE