Chacina de Poção: júri condena mulher a 142 anos de prisão por encomendar morte de conselheiros tutelares e idosa por guarda de criança

Chacina ocorreu quando idosa e três conselheiros voltavam com uma menina da casa da avó paterna Reprodução/TV Asa Branca Terminou, na madrugada deste sábad...

Chacina de Poção: júri condena mulher a 142 anos de prisão por encomendar morte de conselheiros tutelares e idosa por guarda de criança
Chacina de Poção: júri condena mulher a 142 anos de prisão por encomendar morte de conselheiros tutelares e idosa por guarda de criança (Foto: Reprodução)

Chacina ocorreu quando idosa e três conselheiros voltavam com uma menina da casa da avó paterna Reprodução/TV Asa Branca Terminou, na madrugada deste sábado (7), o julgamento de Bernadete de Lourdes Britto Siqueira Rocha e José Vicente Pereira Cardoso da Silva, acusados de encomendar e articular uma chacina em Poção, no Sertão, em que três conselheiros tutelares e uma idosa foram mortos a tiros. O crime, que ocorreu em 2015, foi encomendado por Bernadete de Lourdes Britto, avó paterna de uma criança em meio a disputa pela guarda da menina. José Vicente Pereira Cardoso da Silva é ex-diretor da Penitenciária de Arcoverde e foi apontado como articulador da chacina. Na emboscada, a garota também se feriu, mas sobreviveu. ✅ Receba as notícias do g1 PE no WhatsApp O julgamento começou na quarta-feira (4), na 4ª Vara do Tribunal do Júri da Capital, com a formação do Conselho de Sentença, composto por seis mulheres e um homem. Embora o crime tenha acontecido em Poção, o julgamento foi feito na Comarca do Recife devido ao processo de desaforamento, quando ocorre a busca da imparcialidade dos jurados. Bernadete de Lourdes Britto foi condenada a 142 anos, cinco meses e 16 dias de reclusão; José Vicente Pereira foi condenado a 67 anos, três meses e oito dias de prisão. Ambos os réus foram condenados por quatro homicídios qualificados e por atuação em grupo de extermínio. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Segundo o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), a pena de José Vicente foi reduzida pela metade em razão da idade, já que ele tem mais de 70 anos. A defesa do réu interpôs recurso ainda em plenário. Ao longo dos dias de julgamento, foram ouvidos o delegado responsável pelo caso, testemunhas de defesa e os réus. Na sexta-feira (6), acusação e defesa apresentaram os debates, com réplica e tréplica. As vítimas foram os conselheiros tutelares José Daniel Farias Monteiro, Lindenberg Nóbrega de Vasconcelos e Carmem Lúcia da Silva, além de Ana Rita Venâncio, avó materna da criança. A menina, que tinha três anos à época do crime, foi a única sobrevivente. Três réus já foram condenados Ao todo, sete pessoas foram acusadas pelo crime. Em dezembro de 2025, três delas foram julgadas e condenadas por participação na chacina. Dois deles foram sentenciados a 101 anos de prisão e outro, a 12 anos. Égon Augusto Nunes de Oliveira: 101 anos e 4 meses de reclusão por homicídio qualificado das quatro vítimas; Orivaldo Godê de Oliveira (pai de Égon): 101 anos e 4 meses de reclusão por homicídio qualificado das quatro vítimas; Ednaldo Afonso da Silva: 12 anos e seis meses de reclusão pelo homicídio simples do conselheiro tutelar Lindenberg Nóbrega de Vasconcelos. Outro criminoso já tinha sido condenado em 2024. Wellington Silvestre dos Santos, localizado no Maranhão mais de um ano após a chacina, foi sentenciado a 74 anos de prisão. O júri de Leandro José da Silva, que ia ser julgado com Bernadete de Lourdes e José Vicente foi adiado a pedido da defesa. A data do julgamento de Leandro será designada. Relembre o caso A Chacina de Poção aconteceu em 2015 teve ampla repercussão na mídia e causou mobilização social. O crime aconteceu no Sítio Cafundó, no município de Poção, no Agreste de Pernambuco, na noite do dia 6 de fevereiro. Três integrantes de um Conselho Tutelar e uma mulher de 62 anos estavam num carro quando foram surpreendidos por tiros – os quatro morreram no local. Uma menina de 3 anos também estava no veículo e ficou ferida. Segundo a acusação, o carro do Conselho Tutelar foi interceptado numa emboscada que resultou na execução das vítimas. Na ocasião, foram efetuados cinco disparos para matar as quatro pessoas. As vítimas voltavam da casa da avó paterna da criança, Bernadete de Lourdes. Segundo parentes, as famílias dividiam a guarda da criança na época. O pai e a avó paterna cuidavam dela durante a semana e, nos fins de semana, a menina ficava com os avós maternos. A idosa que morreu na chacina era Ana Rita Venâncio, avó materna da criança. Os conselheiros mortos foram Carmem Lúcia da Silva, de 38 anos, José Daniel Farias Monteiro, de 31, e Lindenberg Nóbrega de Vasconcelos, de 54 anos. As investigações foram concluídas em abril de 2015 e sete pessoas foram indiciadas. Bernadete de Lourdes Brito Siqueira Rocha, avó paterna da única sobrevivente da chacina, foi apontada como a mandante do crime, motivado pelo interesse na guarda da criança (veja no vídeo abaixo). Promotora Themis da Costa fala sobre julgamento do caso da chacina de Poção Bernadete também foi investigada por participação no envenenamento da nora dela, Jucy Venâncio de Britto Siqueira, mãe da menina que sobreviveu ao crime. O advogado José Vicente Pereira Cardoso da Silva, que foi diretor da penitenciária de Arcoverde, no Sertão de Pernambuco, foi apontado como o responsável por contratar os executores. O pai da criança, José Cláudio de Britto Siqueira Filho, chegou a ser preso, mas não foi indiciado. A investigação aponta que ele foi envolvido no crime pela própria mãe, mas que não sabia de nada. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias